Primeiros salários: o que fazer?

27 de Janeiro de 2010 @ 15:06 - admin
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A inexperiência no trato com o dinheiro, os impulsos consumistas e a facilidade em obter crédito fazem com que seja crescente o número de jovens brasileiros endividados. Combater essa situação, organizando as finanças é bastante complicado, para isso os jovens devem saber o que fazer com os primeiros salários e bolsas-auxílios.

“Ganhei o primeiro salário do meu primeiro emprego! Vou comprar um monte de coisa e fazer uma balada muito legal!” Esse é o pensamento da maioria dos jovens logo que recebem pela primeira vez seu salário. Contudo, apesar dessa idéia parecer muito boa, ela pode ser um grande erro, pois é fundamental que o jovem saiba o real valor do dinheiro que recebe para que atinja seus sonhos.

Consumismo - Publicidade

Sempre pergunto aos jovens: Por que vivem em um padrão de vida acima do que podem? Por que o dinheiro não dá para chegar ao fim do mês? Será que o salário é insuficiente, suficiente ou já permite poupar? Você esta na situação de endividado, equilibrado financeiramente ou já é investidor?

As respostas normalmente refletem uma situação de endividamento. Um dos motivos é que os jovens querem viver intensamente o hoje, esquecendo que o futuro pode reservar adversidades. É importante viver o hoje, mas isso não impede que já nos primeiros salários o jovem comece de imediato a planejar e construir o futuro, com muita segurança e a certeza de uma vida melhor, com qualidade de vida, com uma aposentadoria tranqüila, com independência financeira.

Para isso é preciso que desde já o jovem sonhe com objeto de pode realizar, saber o quanto custa, saber quando quer que ele seja conquistado, na metodologia DiSOP de educação financeira isto é plenamente possível, ensinando a poupar para atingir esse objetivo.

Quando falamos no primeiro emprego, observo que há muito tempo o mercado de trabalho está se tornando muito competitivo, e não só com outros jovens concorrendo, e sim toda cadeira, com profissionais muito preparados que passaram até mesmo a concorrer diretamente com os jovens que estão no mercado de trabalho.

Assim, cada vez mais é importante que paralelamente ao trabalho, jovens busquem a oportunidade de ingressar em uma instituição que as capacite para o mercado de trabalho, ampliando cada vez mais esta possibilidade de informações.

Um dos pontos que sempre procuro levar aos jovens de modo geral é que independente da atividade que ele irá praticar ou exercer, ele não pode deixar de lado a educação financeira. Tenho observado que junto com os primeiros salários os jovens também começam a contrair as primeiras dívidas. Isto é fácil de entender, pois eles têm dinheiro e estão expostos ao marketing publicitário e o crédito fácil, ambos fazem verdadeiros estragos na vida financeira de nossos jovens. O marketing faz com que se deseje algo que nem mesmo tinha planejado e o crédito fácil faz com compre algo que não sonha com o dinheiro que não tem, e daí o endividamento se inicia e o jovem pela falta de educação financeira acaba se acostumando em viver uma vida totalmente desregrada.

O caminho para mudar essa situação, é o que chamo de metodologia DiSOP de educação financeira, que se baseia em quatro pilares: Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar.

O primeiro pilar é “diagnosticar” a vida financeira, isto é, uma ‘fotografia’ da situação financeira, saber o que ganha liquido, o que gasta, o que tem de dívida ou quanto de dinheiro guardado. Deverá também saber para onde está indo cada centavo do dinheiro gasto o cafezinho, lanches, baladas, pizzas, cinemas, até mesmo a gorjeta. No fim do mês deverá ser totalizado e analisado, certamente a surpresa será muito grande, pois as pessoas não sabem onde gastam, principalmente com os pequenos valores. São esses pequenos hábitos e costumes que muitas vezes representam despesas desnecessárias e supérfluas. O diagnóstico financeiro deve ser feito frequentemente.

O segundo pilar é o “sonhar” significa estabelecer objetivos que quer realizar. Quando estabelecemos sonhos temos que saber o quanto custa e em quanto tempo queremos realizá-lo. Exemplo: quero uma televisão de plasma que custa R$ 2.000,00 e não tenho o dinheiro para comprar a vista. A orientação é que se guarde parte do dinheiro para realizar esse sonho, assim, se puder guardar R$ 200,00 por mês, esse sonho será realizado em 10 meses. É importante ainda ressaltar que temos sonhos de curto (até um ano), médio (de um ano até dez anos) e longo prazo (acima de 10 anos). Este pilar é essencial para que a pessoa não desanime e foque seus objetivos.

O terceiro pilar é “orçar”, ou seja, registrar os números apurados no orçamento e no apontamento de despesas durante os meses, o orçamento servirá para uma visão plena da situação financeira, o quanto ganho, os gastos totalizados e o quanto estou reservando de dinheiro para os sonhos. A diferença neste orçamento é que primeiro vem o ganho, desse tiramos o valor do sonho, para depois aquedar o valor restante as outras despesas. Em um orçamento financeiro normal a forma utilizada é: primeiro o ganho, menos os gastos e o saldo poderá ser lucro ou prejuízo, o que não garante que mesmo tendo lucro realizará seus sonhos.

Por fim temos o pilar “poupar”, isto é, guardar dinheiro. Poupar engloba todos os tipos de investimentos: caderneta de poupança, título do governo, CDB, ações, entre outros. Este pilar é que garante a realização dos sonhos. O tipo de investimento que o jovem irá fazer dependerá do prazo de seus objetivos. Assim, não adianta investir em ação se precisa de dinheiro de curto prazo. Para obter informações sobre o melhor tipo de investimento para sua situação é sempre interessante buscar um especialista.

Quarto Pilar - Poupar

Estamos em um país em pleno desenvolvimento e temos que quebrar o ciclo de gerações endividadas e construir uma nova geração de pessoas educadas financeiramente. O primeiro passo é sempre o mais importante, mas temos que pensar e andar passo a passo, isto porque os valores que serão guardados para alcançarmos a saúde financeira são pequenos e somados gerarão a tão e importante independência financeira.

Reinaldo Domingos - Educador e Terapeuta financeiro. Também é autor dos livros “Terapia Financeira” e O Menino do Dinheiro - (Editora Gente), e criador da Metodologia DiSOP – Educação Financeira - Presidente do DiSOP Instituto de Educação Financeira – (www.disop.com.br).

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